Mostra
Teatrofídico – julho 2015
CADARÇO DE SAPATO OU NINGUÉM ESTÁ ACIMA DA REDENÇÃO
Dias 09, 10 e 11 de
julho às 20h NO TEATRO DO SESC Centro – Rua Alberto Bins, 665.
Dia 10 de julho: performance ACEITA?* Entre 19 e 20h no
térreo do Sesc Centro e debate após a apresentação.
Livremente inspirado na dramaturgia da inglesa Sarah Kane, o
espetáculo da Cia Teatrofídico propõe um diálogo fragmentado e confessional,
onde seres perdidos tateiam em direção à luz. Amor, desespero, morte, ânsia,
violência e uma certa dose de tristeza. Buscando uma atuação performática os
atores não revelam "personagens" mas sim situações e sentimentos num
jogo de desconstrução e anticlímax.
O processo de criação teve como ponto de partida a leitura
da obra publicada da autora e consequente pesquisa bibliográfica. Nesta fase
elencou-se assuntos convergentes tais como depressão, suicídio, amores não
correspondidos, influência familiar, movimentos artísticos, etc. e á partir
desta gama de interesses foi-se criando um mosaico teórico que deu substância
para iniciar os ensaios. Também foi importante para a elaboração do roteiro do
espetáculo a intenção de escrever relatos e cenas de autoria própria. Então
depois de iniciada a parte prática da criação, estivemos sempre alternando a
inspiração da obra de Sarah Kane com nossa própria dramaturgia. Como resultado
construímos um espetáculo híbrido de intenções que mesclam universos e dialogam
com o contemporâneo.
“Encarada como herdeira da tradição de autores como Samuel
Beckett e Harold Pinter, Sarah Kane é uma das mais importantes dramaturgas da
cena inglesa contemporânea. Em uma obra de crueza grave e violência cortante,
suas peças trazem a essência humana em situações pungentes, sem ornamentos ou
máscaras. A base – de nossas urgências, doenças e desejos – são expostos no
desenvolvimento de um eu violentado no contato com o mundo...
Concretizando muito mais do que a individualidade
psicológica de personagens em uma história com começo, meio e fim, ela expõe,
acima de tudo, os movimentos desse eu em contato com os outros”, segundo Ângela
Francisca Almeida de Oliveira/UFRGS. No aspecto estético trabalhamos com
diversas ideias que traduzissem os sentidos e sentimentos deste mundo
deteriorado: a área de atuação (palco) é dividida em dois ambientes onde ao
fundo fica representado de forma não inteiramente realista um banheiro público
separado por uma parede transparente, como uma vitrine onde estão colocados
dois grandes painéis. De um lado uma figura gigante em close do rosto de Sarah
e do outro uma cortina com imagens icônicas do universo da dramaturga e dos
dias atuais. Fios atravessam o alto da cena onde estão pendurados pares de
sapatos e tênis. Uma poltrona bergère
totalmente deteriorada é um dos principais elementos onde acontecem cenas e que
representa a intimidade e o interior dos seres que perambulam por esse espaço
urbano e ao mesmo tempo familiar. Projeções de
imagens pictóricas completam a cenografia onde uma
iluminação intimista cria um ambiente claustrofóbico e lírico. A trilha sonora
remete aos anos 80 e 90 dando um tom retrô e melancólico à encenação.
Os figurinos mesclam referências de street-urban com elementos delicados e artesanais em duas paletas
de cores: verdes e ocres que também se comunicam com A Cia Teatrofídico sediada
na Usina do Gasômetro há dez anos dentro do Projeto Usina das Artes, iniciou
sua trajetória com “Jogos na Hora da Sesta”, de Roma Mahieu, mas já montou
autores como Caio Fernando Abreu, Luis Buñuel, Clarice Lispector, Ricardo de
Almeida e Miguel Magno, Nelson Rodrigues, Tennesse Williams, Fernando Pessoa e
Roberto Athayde, autor de “Apareceu a Margarida” (em cartaz há sete anos),
entre outros. Este trabalho inspirado em
toda a dramaturgia de Sarah Kane, com roteiro do próprio grupo é também a
comemoração da resistência e solidez da Cia Teatrofídico.
Texto: Criação
coletiva/Livremente inspirados na dramaturgia de Sarah Kane
Atuação: Renato
Del Campão, Rejane Meneguetti, Jairo Klein, Adriana Lampert, Gustavo Razzera e
Lucimaura Rodrigues.
Direção, Trilha
Sonora e Iluminação: Eduardo Kraemer
Cenografia:
Alexandre Navarro
Figurinos: Alunos
do curso de Moda da FEEVALE coordenados pela professora Ana Hoffmann
Projeções/vídeos:
Biah Werther
Produção: Cia
Teatrofídico
APARECEU A MARGARIDA
Foto: Luciana Mena Barreto
Dias 16, 17 e 18 de
julho às 20h NO TEATRO DO SESC Centro – Rua Alberto Bins, 665.
O ESPETÁCULO ESTÁ EM
SEU 7º ANO DE TRAJETÓRIA, TENDO SIDO INDICADO AO PRÊMIO DE MELHOR ATOR PARA
RENATO DEL CAMPÃO NO PRÊMIO AÇORIANOS DE TEATRO DE 2009.
“Para Dna.
Margarida a melhor aula é a que mantém
no ar aquela atmosfera de compreensão entre os alunos e a professora...”
“A encenação assinada
por Eduardo Kraemer mostra o quanto este diretor tem amadurecido. Valendo-se,
desta vez, de um texto consagrado, correndo o risco das comparações, Kraemer
busca uma linha exacerbada de construção do espetáculo que é mantido, contudo,
sempre sob seu controle (... )Renato Del Campão está perfeito na
personalização. Num espetáculo bem marcado, ele não improvisa: cada gesto e
cada arroubo têm uma subida de tom a que se segue uma descida, mostrando as
variações temperamentais da professora. Seguro no texto, equilibrado na
personalização, a figura da professora dona Margarida evidencia a qualidade de
ator que é Renato Del Campão e que nem sempre ele mesmo sabe valorizar. Aqui,
ele dá um show e certamente merece um reconhecimento muito especial, até mesmo
pela dificuldade da figura que interpreta.” (Antônio Hohlfeldt - Jornal do
Comércio, 17 de dezembro de 2008)
“E quais são os
que merecem? São aqueles que obecedem!”
“Renato Del Campão é
um Ator com A maiúsculo” (Amir Haddad - Diretor Teatral Carioca)
“São poucas as
coisas que podem ser vistas no mundo de hoje. E também são raras as pessoas que
enxergam alguma coisa nesse raio de vida...”
“O Rio Grande do Sul
deve se orgulhar por ter nos seus palcos a ousadia e a incrível capacidade
técnica do ator Renato Del Campão. Sua leitura do texto desdobra em diversas
camadas o entendimento da alma humana, apropriando-se da essência expressa pelo
autor. A atuação escancara as feridas vivenciadas no texto com impressionante
entrega, ao mesmo tempo
mostrando que Dona
Margarida é uma pétala.” (Caco Coelho - Jornal Correio do Povo, 2 de agosto
de 2008)
“Todo mundo quer
mandar um no outro, exatamente como está acontecendo aqui, eu mando vocês
obedecem, eu falo vocês acreditam. No fundo TODO MUNDO QUER SER DONA
MARGARIDA.”
“Margarida caiu como
uma luva para o tipo de interpretação de Del Campão, marcada pela explosão,
pela crueza e pela imposição física. Ele embarca a professora em um surto
maníaco,
em que as palavras
preenchem todo e qualquer instante, roubando o lugar da reflexão, impondo ao
público a incômoda sensação de que está perdendo a individualidade. No início
do
espetáculo, Del Campão
dá um show de interpretação: em um instante de raríssima calmaria, a professora
para de odiar o mundo e se vê frágil, olhos marejados.” (Renato Mendonça -
Zero Hora, 12 de janeiro de 2009)
“Evolução não é
nada. E revolução é duas vezes evolução, ou seja: é duas vezes nada...”
Roberto Athayde, um dos grandes autores responsáveis pelo
divisor de águas da dramaturgia nacional, com texto de linhagem tragicômica e,
pioneiro também na utilização de uma linguagem coloquial em cena - destaque no
período da ditadura militar, do autoritarismo - ficou conhecido mundialmente
pela montagem, adaptação e tradução de “APARECEU A MARGARIDA”, para quase o
mundo inteiro, a partir do final dos anos 70 até hoje.
“Dona Margarida
quer ajudar vocês a não terem nada de bom e inteligente pra dizer a própria
vida. Ela quer torná-los totalmente inexpressivos...”
A trama, com áspero texto, é uma profunda análise
psicológica da tortura, da perversão, dos mecanismos de opressão e de toda e
qualquer tirania ditatorial, garantindo a identificação de todos,
proporcionando reflexão dos artistas, quanto dos espectadores.
“A vida é um
saco!”
Sob forma de
monólogo, retrata um dia na sala de aula da professora Dnª Margarida, narrando
fatos da vida a alunos pré-adolescentes e marca a influência sobre o processo
político de ditadura, pelo qual atravessava o país, quando de sua criação, na
década de 70. A situação política faz com que o teatro assuma a sua função
social, voltando-se para o questionamento da realidade brasileira.
Apresentado de forma tragicômica, mesclando o real e o
imaginário, a peça critica a política e o comportamento - inclusive do panorama
atual - envolvendo a plateia que torna-se parte da peça como se fosse formada
por alunos e a professora expressa as suas opiniões através das disciplinas
curriculares de forma alegórica e, ao mesmo tempo, autoritária.
“Porque é
importante saber? É importante saber só pra saber”
APARECEU A MARGARIDA, por ser uma sátira do poder em vários
níveis (político, didático e, amplamente
psicológico ), tem uma grande flexibilidade histriônica que permite
montar a peça com atrizes de qualquer idade , assim como por atores também.
Segundo o próprio autor Roberto Athayde
“a utilização de um veículo distanciado do protótipo da professora ,
tende a enfatizar o aspecto abstrato do texto como uma paródia supragenérica , não só do poder como do
próprio ego humano “.
“O mundo inteiro
está nas mãos de Dona Margarida. A matéria, toda a matéria. A ciência toda, os
adjetivos, os advérbios os verbos, tudo...”
FICHA TÉCNICA
Autor - ROBERTO
ATHAYDE
Direção - EDUARDO
KRAEMER
Atuação - RENATO
DEL CAMPÃO (Dona Margarida) e JAIRO KLEIN (aluno)
Cenografia,
iluminação e sonoplastia - EDUARDO KRAEMER
Figurinos -
ANTONIO RABADAN e CURSO DE DESIGN DE MODA E TECNOLOGIA DA FEEVALE
Fotos - LUCIANA
MENA BARRETO
EU, PESSOA E OS OUTROS EUS
Dias 24 e 25 de julho
às 20h NO TEATRO DO SESC Centro – Rua Alberto Bins, 665.
Retornamos com o espetáculo solo "Eu, Pessoa e os
Outros Eus" com o ator Jairo Klein e direção de Eduardo Kraemer, com apresentações
marcando 80 anos da morte do escritor Fernando Pessoa e seus heterônimos mais
conhecidos:
Alberto Caeiro,
Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Inspirado na obra literária do poeta Português Fernando
Pessoa e seus Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Ao completar 32
anos de atividades no teatro e 27 anos de pesquisa sobre a obra do poeta, o
ator revela no palco a multiplicidade, pluralidade e as contradições
do universo Pessoano, revelando
ao público, através da poesia encenada, a obra real e metafísica de um dos maiores
escritores da literatura universal de todos os tempos.
O espetáculo já percorreu diversas Capitais Brasileiras e
representou o Brasil nos Colóquios da Lusofonia em Lisboa, Porto e
Bragança em 2009 onde recebeu o Prêmio Fernando Pessoa do Instituto Cultural
Português e da Câmara Municipal de Bragança, concedido nas comemorações
dos 120 anos do nascimento do poeta. Em 2012 novamente a convite do
Colóquio Anual da Lusofonia esteve no Arquipélago dos Açores, na ilha de
São Miguel
Arcanjo, divulgando a poesia arrebatadora de Fernando
Pessoa.
FICHA TÉCNICA
Autor - Fernando Pessoa
Intérprete - Jairo Klein
Direção - Eduardo Kraemer
*Performance ACEITA?
Fotografia: Juliano Verardi
A Doença.
Perde-se
a identidade e sabe-se de cabeça números, dados pessoais, dosagens, datas,
resultados de exames, horários e dias de descanso são apenas uma lembrança pois
quem assume esse papel não consegue confiar que alguém saberá trocar o curativo
adequadamente, que na hora do banho vai apoiar a pessoa com cuidado, vai a
todas as consultas, responde todas as perguntas, limpa, faz todas as compras,
paga as contas, cozinha. A sensação é de nunca conseguir amar o suficiente.
A perda de pelos, especialmente
dos cabelos, é, talvez, a característica mais marcante de pacientes de câncer.
Mais que uma questão estética, mudar o cabelo é uma das mais rápidas e
eficientes possibilidades de “tornar-se uma pessoa diferente”. Para as
mulheres, principalmente, fazer uma mudança radical na hora em que tudo parece
estar ruim ajuda a aumentar a autoestima, a dar ânimo para reagir. Os primeiros
fios de cabelo brancos são outra alteração que nos faz repensar a forma como
nos vemos e encaremos a vida. Estes exemplos ajudam a entender mudanças no
cabelo como ritos de passagem pois aí movimenta-se todo um universo de
significados. Assumir uma nova identidade visual com uma alteração que pode ser
reversível, neste caso, é simbolizar as marcas deixadas em doentes e
familiares, como outras tantas “cicatrizes” que o viver nos traz.
A Despedida.
Então
um dia a pessoa dorme. Mas, ao
contrário do que muita gente pensa, além da dor não tivemos descanso. De modo
geral, nossa cultura é de negação da morte. Empresas, instituições, pessoas não
estão preparadas para resolver questões legais ou burocráticas de modo simples.
Não há, no manual das centrais de atendimento ao cliente, uma página dedicada à
questão “falecimento do cliente”. E isso é apenas uma pequena parte do que se
desenrola.
E o prontuário humano, sem
direito a viver seu luto, depara-se com um novo papel: resolvedor de pendências. Dizer “meu pai faleceu...” antes de
explicar a dúvida nem é escutado por quem apenas está contando o número de
atendimentos. E torna-se lugar comum, automático, uma frase sem sentimento. Meses depois, ainda dói atender o celular que
era dele.
ACEITA UM POUCO DO MEU AMOR?
FICHA TÉCNICA
Concepção e performance:
Silvana da Costa Alves
Mostra Teatrofídico 2015: artistas convidados farão parte da
performance.
MOSTRA TEATROFÍDICO 2015
DIVULGAÇÃO
51.9513.6101 EDUARDO KRAEMER
51.9656.8341 RENATO
DEL CAMPÃO