quarta-feira, 19 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
OFICINA DE MONTAGEM
O OBJETO SE TORNA ATOR/
TEATRO DO ABSURDO
BECKETT + IONESCO
MÓDULO INICIANTES
Curso aberto à qualquer pessoa - com idade mínima de 15 anos, com ou sem
experiência anterior - com objetivo de utilização da linguagem teatral
como exercício de potencial criativo, utilização do sensorial,comunicabilidade,
desinibição e expressividade.
A metodologia propõe técnicas de relaxamento e sensibilização, método de
ações físicas,
jogos teatrais diversos, busca de linguagem comum com interpretação
ou improvisação,
construção de personagem e montagem final com fragmentos de peças de
Samuel Beckett e Eugêne Ionesco.
“O teatro do absurdo se esforça por expressar o
sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da abordagem racional,
através do abandono dos instrumentos racionais e do pensamento discursivo e o
realiza através de 'uma poesia que emerge das imagens concretas e objetificadas
do próprio palco.”
MARTIN ESSLIN
Embora o termo seja
aplicado a uma vasta gama de peças de teatro, algumas características coincidem
em muitas das peças: um sentido tragicómico, estrutura muitas vezes semelhante
ao do Vaudeville, com quadros não
necessariamente conectados; alternância entre elementos cômicos e imagens
horríveis ou trágicas; personagens presas a
situações sem solução, forçadas a executar ações repetitivas ou sem sentido;
diálogos cheios de clichês, jogo de palavras e nonsense;
enredos que são cíclicos ou absurdamente expansivos; paródia ou desligamento da
realidade e artifícios da well-made
play (peça bem-feita,
regras dramáticas do século XIX de como se fazer uma peça).
Referências:
STANISLAVSKI, PETER BROOK, MARCIO VIANNA, AUGUSTO
BOAL,ARIANNE MNOUCHKINE E MATTEO BONFITTO.
RENATO DEL CAMPÃO
MELHOR ATOR AÇORIANOS 2015
Trabalha como ator e diretor teatral há 30 anos. Ministra oficinas de
teatro à 15 anos.
Sua oficina já abrigou de grupos populares pelo Projeto
Descentralização da Cultura, até outros reunidos no SESI,
Sogipa, Pólo Petroquímico e particulares, como empresários, profissionais
liberais e comunicadores.
No seu currículo teatral somam-se quase 60 espetáculos (entre eles:
Inimigos de Classe, Navalha na Carne, Espancando a Empregada,
No Tempo do Onça, Rede Nacional de Intrigas, Clubber, Eu Sei O Que Vocês
Dublaram no Verão Passado,
Eu Ainda Sei ... , Eu Continuo Sabendo ... , Histórias Tatuadas , Alice
Maravilha
,Bonecas à Beira de um Ataque de Risos,Jogos na Hora da Sesta,Caio de
Boca e Alma,O Anjo Exterminador,Apareceu a Margarida , A Serpente e Cadarço de
Sapato.)
Tem passagens pelo mercado publicitário, televisão (Memorial de Maria
Moura) e cinema ( O Homem Que Copiava, direção de Jorge Furtado).
Lançou o livro A Comédia Negra, reunindo comédias escritas por ele
nas décadas de 80 e 90.
EDUARDO KRAEMER
MELHOR DIRETOR AÇORIANOS 2015
MELHOR DIRETOR PRÊMIO BRASKEM 2016
É diretor teatral a 18 anos e dirige a Cia Teatrofídico a 13, onde
produziu e encenou mais de 15 espetáculos reconhecidos pelo público e pela
crítica, como Jogos na Hora da Sesta, vencedor do Açorianos 2014 Melhor
Iluminação e indicado a Melhor ator(Renato Del Campão);Caio de Boca e Alma de
Caio Fernando Abreu;Eu preciso aprender a ser só, vencedor Açorianos 2005
Melhor Trilha Sonora Adaptada e idicado a Melhor Atriz(Saionara Sosa) e Melhor
Cenografia;A Serpente de Nelson Rodrigues, também idicado a Melhor Ator(Renato
Del Campão);Apareceu a Margarida indicado a Melhor Ator(Renato Del Campão) e em
2015 Cadarço de Sapato ou ninguém está acima da redenção vencedor AÇORIANOS
MELHOR DIREÇÃO, MELHOR ATOR(Renato Del Campão) e MELHOR CENOGRAFIA(Alexandre
Navarro) onde também foi indicado a MELHOR ESPETÁCULO E PRODUÇÃO.
Ministrou várias oficinas dentro do Projeto Usina das Artes e fez
oficinas com diversos nomes da cena teatral gaúcha e nacional tendo por
último,participado da oficina de Performance OUVIDORIA com o diretor Matteo
Bonfitto.
Trabalhou 13 anos na produção do Porto Alegre Em
Cena e atualmente trabalha a 7 anos no Festival Palco Giratório do Sesc.
SERVIÇO
ONDE: CIA DE ARTE, Rua dos Andradas 1780
QUANDO:17/10 à 19/12 segundas e quartas
das 19:00 às 22:00
CARGA HORÁRIA:57 Horas/aula – (3 horas
por dia)
QUANTO:R$200,00 por mês
Contato
Eduardo Kraemer (51)84121265
Renato Del Campão (51)96568341
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Escrita/crítica de Fábio Prikladnicki sobre "Cadarço de sapato..."
Fonte: http://teatrojornal.com.br/2016/10/sarah-kane-e-o-milagre-da-performance/
"Este é o mais potente trabalho do Teatrofídico em muitos anos. Marca, na trajetória da companhia, uma evolução semelhante àquela observada na obra de Kane, de um teatro dramático em direção ao pós-dramático"
Fonte: http://teatrojornal.com.br/2016/10/sarah-kane-e-o-milagre-da-performance/
Sarah Kane e o milagre da performance
foto de Andrea Cocolichio
11 de outubro 2016 | por Fábio Prikladnicki • Porto Alegre
Sarah Kane (1971-1999) certa vez escreveu que frequentemente saía do teatro antes do fim, mas nunca fazia o mesmo em um jogo de futebol porque nunca se sabe quando um milagre pode acontecer. A venerada dramaturga inglesa julgava a performance muito mais interessante do que a atuação, mas sua noção não era a do conceito-fetiche da cena contemporânea. Performance, para ela, era uma partida do craque David Beckham ou um show da banda Jesus and Mary Chain, para citar duas de suas preferências. Essa é a autora homenageada pela companhia gaúcha Teatrofídico no espetáculo Cadarço de sapato ou ninguém está acima da redenção, que estreou no início de 2015 e teve novas sessões em setembro último no 23º Porto Alegre Em Cena.
Kane acreditava em um teatro no qual, a qualquer momento, algo pudesse acontecer. Quem saísse na metade de Blasted (Ruínas), sua primeira peça, perderia a improvável invasão de um soldado com um rifle de sniper no luxuoso quarto de hotel de Leeds (mas que poderia ser em qualquer lugar do mundo, como anotou a autora) no qual estão o quarentão Ian e a jovem Cate. Ou a surpreendente explosão de uma bomba, o que ocorre logo a seguir.
Este é o mais potente trabalho do Teatrofídico em muitos anos. Marca, na trajetória da companhia, uma evolução semelhante àquela observada na obra de Kane, de um teatro dramático em direção ao pós-dramático
O jornal Daily Mail classificou Blasted, após sua estreia em 1995, como “um desagradável festim de imundície”. Nem todas as críticas foram negativas, mas a incompreensão acompanhou Kane na trajetória de apenas quatro anos entre a primeira peça e o suicídio, aos 28 anos. A obra genial e a biografia marcada pelas constantes crises de depressão conferiram à autora certa aura romântica à moda de um encontro entre Os sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, com o teatro pós-moderno. Sarah Kane era isso e muito mais.
Entre os méritos de Cadarço de sapato… está a compreensão de que o papel da esperança em sua obra nunca está realmente claro. O dramaturgo Mark Ravenhill, que foi amigo de Kane, afirmou que é um equívoco ler sua última peça, 4.48 Psychosis (Psicose 4.48), como um bilhete suicida, pois no momento da escrita ela ainda não sabia o que escolheria: a urgência da ordem ou a necessidade de autodestruição.
Espetáculo tem ganho de fisicalidade
Em seu tributo cênico, o Teatrofídico e o diretor Eduardo Kraemer emulam a estrutura deCrave (Ânsia ou Falta, dependendo da tradução), na qual Kane situa três personas identificadas apenas como C, M, B e A. O grupo pinçou trechos da produção da autora e os combinou com textos criados pelos próprios atores, procedimento que provavelmente ganharia a aprovação dela ao colocar em xeque a ideia de pureza e, ao mesmo tempo, consagrá-la. Durante pouco mais de uma hora, Renato Del Campão, Rejane Meneguetti, Jairo Klein, Adriana Lampert, Gustavo Razzera e Aline Szpakowski exercem a função não de personagens em uma dramaturgia, mas de figuras que gravitam em torno da obra de Sarah Kane – e de suas próprias vozes – como se corpo e texto fossem parte indissociável um do outro. O corpo vira texto ou vice-versa?
Este é o mais potente trabalho do Teatrofídico em muitos anos. Marca, na trajetória da companhia, uma evolução semelhante àquela observada na obra de Kane, de um teatro dramático em direção ao pós-dramático. Na sucessão de suas cinco peças, está clara a diluição de personagens bem construídos (Blasted) em uma voz ou vozes soltas no tempo e no espaço (Psicose 4.48).
Conhecido por suas montagens de autores como Tennessee Williams, Nelson Rodrigues e Roberto Athayde, o grupo reforça a fisicalidade como elemento catalisador da dramaturgia. Em depoimento ao jornal Zero Hora por ocasião da estreia, em 2015, o diretor Eduardo Kraemer observou: “Sempre tivemos como característica a oralidade, mas gosto muito do trabalho físico. Agora, estamos no meio do caminho. Ainda quero mais fisicalidade”. O esforço valeu o Prêmio Açorianos de direção (Kraemer), ator (Del Campão) e cenografia (Alexandre Navarro), além de outro troféu de melhor direção no 11º Prêmio Braskem Em Cena, dedicado às produções locais do Porto Alegre Em Cena.
Papel da esperança nunca está realmente claro na obra de Sarah Kane
Um perigo recorrente na interpretação das peças de Kane é confundir obra e vida, risco que o Teatrofídico escolhe correr. A companhia não foge do desafio de desconstruir as fronteiras da identidade. Quem está falando é Sarah Kane ou uma personagem? Uma personagem ou uma persona? Uma persona ou múltiplas vozes? São questões evocadas desde o início, quando os atores estão com as cabeças cobertas por sacos de papelão estampados com suas próprias fotos.
Os espectadores não são poupados de alguns dos trechos mais brutais das obras da autora, como a sequência de Blasted em que o Soldado estupra Ian e depois extrai seus globos oculares com a boca. Se há algo que ainda choca o público, esse algo é o teatro de Sarah Kane. Mas o significado da violência em sua obra ainda é motivo de exegese. É como se, por meio do que há de mais cruel no ser humano, estes personagens fossem submetidos a uma experiência que não teriam de outra forma, assim como em uma das Breves entrevistas com homens hediondos de David Foster Wallace.
Espectadores não são poupados de trechos brutais da obra
Partindo de reflexões sobre a vivência do terapeuta Viktor Frankl no Holocausto nazista, o narrador de Wallace observa que mesmo a violência mais abjeta pode revelar a uma pessoa algo que ela não sabia antes, um novo dado sobre a condição humana. Frankl provavelmente diagnosticaria Kane com um “vazio existencial”. Mas, enquanto o terapeuta a encorajaria a buscar o sentido da existência, ela (pós-moderna que era) jamais acreditaria no sentido do que quer que fosse.
A questão passa a ser como viver nesse vazio. Para o crítico de teatro inglês Michael Billington, Kane tinha, mais do que seus contemporâneos, “uma consciência profética de nosso mundo moderno assombrado pelo terror”. Escrevendo em 2005, no jornalThe Guardian, ele previu que a próxima geração de profissionais do teatro “entenderá intuitivamente seu humor negro e sua agonia romântica”.
Desafiando seus próprios limites, o Teatrofídico construiu, ou melhor, desconstruiu uma homenagem que faz jus ao legado de Kane. As personas evocadas em cenas multifocais, simultâneas e descontínuas, falam sobre amor, pureza, sexo, redenção, violência e morte. Embora haja um começo e um desfecho, nada no meio parece obedecer a qualquer tipo de sentido nos termos que Viktor Frankl desejaria. Mas assim é a vida, essa estranha performance que se passa entre o nascimento e a morte. Nela, um milagre pode acontecer a qualquer momento. Por via das dúvidas, é melhor não deixar a sala de espetáculo antes do fim.
.:. Escrito no contexto do projeto Crítica Militante, iniciativa do site Teatrojornal – Leituras de Cena contemplada no edital ProAC de “Publicação de Conteúdo Cultural”, da Secretaria do Estado de São Paulo.
Ficha técnica:
Autoria: criação coletiva, livremente inspirada na dramaturgia de Sarah Kane
Direção, trilha sonora, projeção e iluminação: Eduardo Kraemer
Com: Renato Del Campão, Rejane Meneguetti, Jairo Klein, Adriana Lampert, Gustavo Razzera e Aline Szpakowski
Cenografia: Alexandre Navarro
Figurino: alunos do curso de moda da Feevale, coordenados pela professora Ana Hoffmann
Produção: Cia. Teatrofídico
Autoria: criação coletiva, livremente inspirada na dramaturgia de Sarah Kane
Direção, trilha sonora, projeção e iluminação: Eduardo Kraemer
Com: Renato Del Campão, Rejane Meneguetti, Jairo Klein, Adriana Lampert, Gustavo Razzera e Aline Szpakowski
Cenografia: Alexandre Navarro
Figurino: alunos do curso de moda da Feevale, coordenados pela professora Ana Hoffmann
Produção: Cia. Teatrofídico
Assinar:
Postagens (Atom)